Parto normal pós cesariana na Alemanha!

Há alguns posts, contamos a historia de um parto no Japão (veja AQUI)! Hoje vamos contar de um parto lindo na Alemanha, esse com cesariana anterior. O que achei mais engraçado dessa historia, foi a Ju contando como ela explicava para a médica alemã do porque da cesariana e a médica não entendia de jeito nenhum o porque da cirurgia (como lá a cesariana só é feita com indicação real, ela tinha medo da mesma indicação ser necessária nesse parto).

“Queria contar um pouco a minha experiência de parto aqui na Alemanha para ajudar outras gravidinhas talvez.
Desde a minha primeira filha, no Brasil, eu queria um parto normal. Cheguei a entrar em trabalho de parto, mas depois da anestesia, a dilatação estabilizou em 5 cm. Após algumas horinhas minha médica achou que seria melhor ir pra cesárea, terminei concordando e assim foi, minha primeira filha nasceu de cesárea e ocorreu tudo bem, só lembro que tinha algumas dores no corte e não conseguia ficar muito tempo de pé, pois tinha queda de pressão nos primeiros dias.

parto alemanha 1
Com 5 meses de gravidez da minha segunda filha, vim morar na Alemanha. Sabia que aqui eles tinham um índice maior de parto normal e então vim já com a ideia de ter o parto aqui mesmo, pois meu marido também não conseguiria ir pro Brasil acompanhar o parto.
Chegando aqui já me deram a dica de procurar a Hebamme (como chama a Doula aqui), estava um pouco tarde porque tem poucas e é difícil encontrar horário com elas, mas consegui pra um mês depois, que já estava ótimo.
Por sorte encontrei uma GO que falava espanhol, pois meu alemão não é tão bom e queria entender tudo que estava acontecendo. Todos exames são realizados no próprio consultório, como exame de urina, sangue e ultrassom, se necessário algo mais específico é que a médica encaminha pra outro lugar. Eu achei muito interessante é que aqui, em todas as consultas, é realizado exame de urina. Na primeira consulta ela constatou uma braquicardia (em alguns momentos o coração batia mais lento) na minha filha e pediu pra fazer ultrassom em outro lugar, mas nos acalmou dizendo que podia ser normal do período gestacional, mas queria uma certeza. A médica mesmo pegou o telefone e ligou pro lugar marcando o exame, por sorte tinha encaixe no outro dia, porque vocês já imaginam que nem conseguimos dormir essa noite. No dia seguinte foi realizado o ultrassom e estava tudo dentro da normalidade, que alívio!!! Só pensamos em agradecer á Deus, percebemos que existem problemas maiores e às vezes ficamos reclamando por besteiras.
Tivemos alguns encontros com a Hebamme que também me examinava, ouvia coraçãozinho da neném e explica tudo sobre parto normal e ensinava as respirações. Minha Hebamme era tão calma que morria de sono toda vez que ia lá, rsrsrs, ela foi um dos anjinhos que passou na minha vida aqui. Mas infelizmente ela não realizava parto, somente preparava a grávida pro parto e acompanhava o bebê depois.
Bom, as semanas foram passando e em uma consulta foi visto que a nenê estava sentada. No encontro com a Hebamme, ela me disse que se não virasse, teria que fazer aquele procedimento que médico leva o bebê até a posição certa com a mão, ela até me deu um papel explicando as possíveis complicações, fiquei preocupada. Mas na outra consulta a médica fez o ultrassom e minha princesa cooperou e estava de cabeça pra baixo, ufaaaa…
Com 35 semanas a médica pediu pra eu ir me consultar com o médico do hospital, aqui não é a médica que te acompanha que realiza o parto, normalmente é a Hebamme de plantão e quando necessário vem o médico do hospital. Como eu não sabia exatamente explicar o porquê de ter tido a cesárea no Brasil, minha médica achava que eu tinha algo que me impediu o parto normal e temia que poderia acontecer de novo. Na consulta com o médico do hospital ele me examinou, realizou o exame de ultrassom e perguntou o que eu queria, eu disse que queria o parto normal e ele me respondeu que poderia ter sem problemas e que a cesárea anterior não me impedia em nada. Perfeito, então fiquei bem mais tranquila.
Aqui também são realizadas aquelas visitas no hospital antes do parto, primeiro tem uma palestra com uma Hebamme e um médico pra esclarecer todas as dúvidas, depois tem uma visita nas salas de parto. Vi uma sala com a banheira no meio, pra ter o parto na água, achei muito legal, nunca tinha pensado em ter a nenê na água, mas naquele momento pensei na possibilidade, que logo foi descartada quando a Hebamme explicou que não podia ter anestesia, eu não sou tão corajosa assim, rsrs, uma coisa eu tinha certeza, era que queria com peridural, que logo aprendi como se falava em alemão: PDA (que é a abreviação).
Às 3 horas e pouco da manhã do dia que entrava na semana 38, comecei a sentir contrações, regulares mas com intervalos grandes, na hora baixei um app pra anotar essas contrações. Às 6 e pouco da manhã meu marido acordou e falei pra ele que já estava com contrações, ele arrumou minha outra filha e foi leva la pra escola, enquanto eu tomava banho e me arrumava. Chegamos no hospital e eu estava com apenas um dedo de dilatação e contrações fracas, passei com o médico e eu disse que eu ainda não estava na hora, até brincou dizendo que eu estava conseguindo sorrir, que estava muito tranquila. Recomendou que eu fosse caminhar um pouco e que voltasse depois de uma hora para realizar os exames novamente. Voltei e continuava na mesma, então me perguntaram se eu queria ficar lá ou voltar pra casa, que não sabiam quando ia nascer, podia ser naquele dia ou uma semana depois. Resolvi voltar pra casa.
Em casa consegui comer e dormir um pouco, mas continuava com contrações, a dor era de cólica mestrual bem forte, mas logo passava. Quando meu marido voltou do trabalho, no final de tarde, ligamos  pra Hebamme e ela disse pra entrar na banheira (aqui é bem normal as casas terem banheira), falou que se fosse contrações de treinamento, eu iria conseguir relaxar e dormir, mas se fosse contrações já pro parto, elas iriam aumentar. Entrei na banheira e minha filha ficou do meu lado lavando minha barriga e ansiosa pela chegada da irmã, esse momento foi mágico pra mim. Quando sai da banheira começou a dor mais forte e em intervalos menores. Me vesti e fomos pro hospital por volta de 8 e pouco da noite.
Chegando lá, fizeram os exames e estava com 3 cm de dilatação e contrações regulares com intervalos pequenos. Já estava em trabalho de parto, Iupiiii…Fui levada para sala de parto, uma sala bem tranquila, com uma luz baixa. A Hebamme do hospital veio e me disse se queria fazer lavagem intestinal, que seria melhor, concordei e foi realizado, um pouco desconfortável pq tem as contrações junto e nesse momento não sabe se é cólica intestinal ou contração.
Após isso, pedi pra Hebamme a famosa PDA e ela disse que ia avisar o Anestesista. Como na primeira gravidez tive o problema de parar a dilatação, meu marido queria que esperasse mais, mas ela disse que já podia tomar a anestesia. Enquanto isso entrei na banheira que tinha lá, ajudou a melhorar um pouco a dor. Quando saí já tinha aumentado a dilatação e a dor também, nesse momento achei que ia desistir, comecei a implorar pra chegar logo o Anestesista, rsrsrs. Meu marido disse que ele demorou no máximo 10 minutos, mas pra mim foi uma eternidade. A cada contração fazia a respiração, dançava, rebolava, meu marido fazia massagem nas costas, tudo pra amenizar a dor.

parto alemanha 2
O Anestesista explicou que ia demorar uns 20 minutos pra começar a sentir a anestesia e mostrou um dispositivo que era só apertar e bombava mais o anestésico, rsrsrs, achei isso demais, dei umas duas bombadas até ficar tranquila. Fiquei deitada de lado que disseram que ajudaria mais. Nesse momento já havia trocado o turno da Hebamme e foi ai que conheci o outro anjinho. Perto da meia-noite ela veio me examinar e já estava com dilatação completa e disse que estava preparando tudo pro parto e o médico estava chegando também. Lembro que nesse momento está tudo tão tranquilo e sabia que estava bem perto de ver o rostinho da pequena.
Enfim chegou o momento, a Hebamme explicou que quando viesse a contratação era pra fazer força, tive que me concentrar pois como estava com a anestesia, às vezes não tinha certeza se era contração mesmo, pois estava fraquinha. Na primeira tentativa fiz força e deixei o ar sair pela boca, esqueci tudo que minha Hebamme tinha falado. Mais duas tentativas e eu comecei me sentir muito cansada e pedi um pouco de água. Nesse momento achei que não ia conseguir, cheguei até pedir desculpas pro médico, mas eles me animaram e disseram que eu estava indo muito bem, que faltava pouco e que estava dando pra ver a cabecinha. Mais uma tentativa e comecei a sentir uma ardência, lembrei que tido lido que quando se sente isso é que está quase saindo, então fiz mais força, segurei o ar e…NASCEU.
A Felicidade me dominou, que momento único, obrigada Meu Deus.
O obstetra mesmo é quem faz o Apgar e foi 10 em todos quesitos. Depois ela veio pro meu colo toda meladinha linda e ficamos juntinhas por um tempinho. Enquanto ele suturava, pois infelizmente tive lacerações, o Hebamme cuidava da neném, ali mesmo na sala. Depois ela voltou pro meu colo e fomos pra sala de recuperação, onde ela ficou ali quietinha mamando e desse momento senti um AMOR tão grande, um sentimento inexplicável, que gostaria que todo ser humano sentisse. Isso foi umas das maiores diferenças que senti aqui, pois na minha primeira filha lembro que fiquei por horas na recuperação, longe dela e desesperada pra sair de lá.
Bom, essa foi minha história de parto na Alemanha, como todos os lugares ouvi histórias positivas e negativas. Eu tive o privilégio de ter tido uma ótima experiência e só posso agradecer por isso e por todas as pessoas que passaram na minha vida nesse período.”

Amo historias de parto, o nascimento é tão maravilhoso, né?!

 

Beijos30

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