“Descompare”! Você é uma boa mãe!

Existe algo obscuro sobre a maternidade que faz com que as mães duvidem de sua conduta nesse papel e sem querer, a fazem influenciar diretamente nos filhos. A comparação ao filho dos outros e à maternidade alheia é um problema que nós mães precisamos resolver, e logo! Antes que o estrago seja feito.

Essa comparação e sensação de impotência perante as outras mães que sempre parecem mais pacientes, mais equilibradas, mais felizes, mais belas, com filhos mais exemplares é pura e simplesmente algo da sua cabeça! Totalmente ilusão! Pode ter certeza. Mas essa dúvida pode caminhar com você por longos anos (não pense que passa após a infância!)boa mãe

Lembro-me bem da minha adolescência, era magra, linda, feliz, adorava sair, beber e curtir. Não, ser uma profissional de respeito não passava pela minha cabeça e para ser bem sincera, queria mesmo ser atriz, queria fazer artes cênicas na faculdade. Nada fora do comum, muitos jovens são assim e isso é ótimo, faz parte do nosso crescimento, da nossa exploração sobre nós mesmos e nossas vidas!

Como curtia beber, diversas vezes chegava em casa bêbada e no dia seguinte, ainda com dor de cabeça e o estomago enjoado ouvia as frases típicas da minha mãe, sem exceção, todo discurso passava por: Assim você vai ficar sozinha para sempre! Homem não gosta de menina assim! A Mariazinha, filha da ciclaninha não age assim, não se veste assim, não fala assim, não dança assim e etc! Me perco nas inúmeras vezes em que fui comparada a alguma filha de amiga da minha mãe! Nunca eu era boa o suficiente. A escolha da faculdade não era, a roupa não era, a maquiagem não era, o cabelo, as atitudes e etc não eram. Essa comparação aparentemente boba e natural, me fez inúmeras vezes me questionar e sim, perguntar a Deus porque só eu no mundo era assim! Porque eu não era igual a filha da ciclaninha que passou da USP em Medicina, casou aos 25 anos e mal saia, porque precisava estudar. Aparentemente filha amorosa e muito feliz!

Se voltar ainda mais na infância, me lembro de fazer alguma manha e ouvir: Ninguém mais esta agindo assim, só você! E para falar a verdade, essas são algumas frases comuns que eu (e muitas outras mães) ouvia muito, mas com certeza tinham outras. Isso me chateava, me fazia comparar aos outros, sempre me sentia mais feia, mais chata, mais louca e etc. E para falar a verdade, acho até que esses comentários reforçavam meus comportamentos contrários ao que minha mãe achava correto pelo próprio desafio mesmo.

O que eu não sabia e só descobri ao ser mãe, é que ela não fazia aquilo para me agredir diretamente, mas que ela também se sentia assim. A pior mãe do mundo! Aquela que fez algo errado para não ter a filha exemplo (acho mesmo que essa comparação fica cada vez pior para quem tem filhas mulheres!), para eu gostar de teatro, de beber, de calças justas e camisetas curtas! Enfim a famosa frase: “Onde foi que eu errei?!” Com certeza minha mãe pensava isso a cada conflito que tínhamos.Boa mãe

Na verdade ela não errou, nunca! Muitas dessas meninas exemplo que minha mãe citava eu cheguei a conhecer e sinceramente não tinha nenhuma que fosse muito diferente de mim, alias, algumas ainda piores (na visão estereotipada da minha mãe)! Foi ai que percebi (finalmente, como uma espécie de libertação) que eu não tinha nada errado, que eu era normal e que essas experiências e curtições eram normais!

O que acontece então que fazia com que minha mãe realmente acreditasse que só eu era diferente? Simples, ela não vivia na casa nem a vida dos outros! Pois é, de fora tudo parece diferente. Nenhuma mãe é obrigada a contar os problemas que tem com o filho, nem para as melhores amigas! Outras talvez, não contem por vergonha por se sentirem exatamente como minha mãe. Algumas não viam problemas nessas atitudes e talvez até contassem algo, mas com o olhar de quem acha isso normal (sempre que contamos uma historia achando que é normal não damos tanta ênfase aos problemas). Nisso, minha mãe era convidada para um café e a filha estava lá, com roupa comum de ficar em casa (sem calças justas e blusas curtas), cabelos presos, rosto sem maquiagem e tranquila vivendo a calmaria do dia a dia. Talvez ela tivesse estudando um pouco (talvez os únicos 10 minutos da semana) e chega, senta ao lado da mãe, talvez fazendo um carinho e conversam normalmente na maior harmonia.

Essas cenas se repetiam em casa também e provavelmente muitas mães também comparavam suas filhas mal comportadas a minha atitude tão educada e carinhosa! Porém, minha  mãe não vivia só esse lado (nem a amiga dela), ela vivia o conflito, a dúvida, os problemas e esses momentos lindos e comuns se camuflavam no tamanho do problema. Porém, ela saiu da casa da amiga com a imagem da filha perfeita que ela não tinha e na verdade, ninguém tem!

Quando meu filho nasceu, minha promessa foi não fazer isso com ele e nem comigo! Foi não olhar para o lado de forma a me rebaixar no meu papel de mãe e nem a ele no papel de ser humano em crescimento! Prometi tentar ser compreensiva e especialmente aceitar que talvez ele seja diferente dos meus sonhos e mais do que isso, ele seria real (com conflitos também) e que isso era uma vantagem e não um problema! Só quem passa por essas fases de provação e experimentação consegue crescer um adulto forte e consciente! Não é à toa que vimos muitos adultos reviverem essa adolescência com 30 ou mais!

Não sei se estou certa, sou só mais uma pessoa com opinião sobre a maternidade alheia, mas se eu puder dizer algo é: ninguém é melhor que você! Nenhum filho é melhor que o seu! Todas as crianças passam por fases (difíceis para você e para eles) de provação, isso é bom e totalmente necessário! Infeliz do ser que se anula a vida toda para atender as expectativas dos outros. Não sinta vergonha, não se sinta mal, você é incrível! Seja forte e compreensiva, converse sempre e muito, muito mais a fim de ouvir do que de mandar (temos esse problema como mãe), pois só entendendo o que passa com seu filho, vocês poderão ajuda-lo e se ajudar! Não se esqueça, o adulto é você e a gente deve isso às nossas pequenas crias!!!

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