É normal se arrepender de ser mãe?

Esses dias acordei com a seguinte mensagem no meu Whats App: “É normal se arrepender da decisão de ser mãe?”! Pois é, era uma mamãe desesperada com um bebê ainda no primeiro trimestre!

mãe cansada

Imagem Internet

Muitos julgariam essa mãe e prontamente dignosticariam algum tipo de depressão pós parto, pois o que ninguém realmente fala é que em alguns momentos, momentos desesperadores na qual você tem um sentimento de que perdeu totalmente o controle: “Sim, é normal!”. O que não é normal é ter esse sentimento o tempo todo, ai, realmente a gente precisa conversar, pois pode ser mais que desespero materno de quem não esta sabendo lidar com essa situação nova, pode ser sim uma doença física, química e tratável, a depressão (mas ai, só um médico pode diagnosticar!).

A maternidade é muito romantizada, não por causa da mídia, das mães que não falam a respeito, mas pelos julgamentos sobre a criança ideal e pelo desejo natural que a maioria das mulheres sentem de serem mães. Parece um sonho, lindo, perfeito que desmorona no primeiro choro do bebê. Você, que até os últimos minutos anteriores ao parto tinha controle da sua vida, perdeu, já era!

Sim, você perde mesmo! Quer ir ao banheiro? Deixa o bebê em algum lugar, o bebê chora, você não sabe porque, pega o bebê! Seu corpo implorando pelo xixi! O bebê para de chorar, ri, você tenta colocar ele de volta, ele chora e assim vai, minutos, horas, dias até conseguir fazer as tarefas mais simples.

Você precisa ir até o banco, seria rápido, mas o bebê vai junto: amamenta, arruma a mala (com ele no colo), da fome, come algo, coloca ele no carrinho, ele quer mamar de novo, amamenta, troca a fralda, sai… Chega ao banco, lembra que a carteira ficou em casa, volta pega a carteira, maratona de novo, chega no banco e ele esta fechado. Enfim, qualquer programa quando se é mãe, leva o dia todo, especialmente no inicio.

Isso sem falar que nos primeiros meses ficamos aprisionadas dentro de casa já que a pediatra indicou sair só depois dos 3 meses (se ela for boazinha! tem uns que pedem mais). Se for mãe de primeira viagem, para tudo que esta fazendo para dar o mama. Se o bebê for guloso, são 24 horas de mama. A coluna doí, o corpo doí, os amigos param de se interessar pelo seu filho e por você, o marido acha que é frescura e a sogra, ah, essa não esquece do bebê e aparece sem ser convidada, opina na sua vida e liga de minuto em minuto (ou a outra vó, tia, enfim sempre tem um parente).

Lembra aquela mulher independente, linda e gostosa? Não! Porque sua memória esta um caos total e você com certeza não a vê mais no espelho! Ela não dorme a dias! E não é como quando ela saia para a balada e ia com olheira de maquiagem mal tirada para o trabalho, não! São dias, semanas, meses de cansaço extremo! E o pior, os comentários não ajudam, os amigos não ajudam, as pessoas não entendem e ainda falam que seu leite é fraco, que outros bebês dormem mais, que o seu chora de mais. E no meio de tanta entrega você se sente a pior pessoa do mundo, aquela que não sabe cuidar de um bebê e resolveu ser mãe.

Mas quando os três meses passam, muita coisa melhora e você sai, pela primeira vez, tensa, nervosa! Sai do carro e leva 20 minutos para montar o carrinho de tanto que treme, não sabemos se é nervoso, alegria ou a luz do sol finalmente te tocando! Mas sai, ufa, luz! Coloca o bebê no carrinho e ele chora. Ai vem um infeliz, que não te conhece, e te olha com cara de: “Essa mãe precisa dar limites para esse bebê!” E quem da limite para um olhar desse? Para os comentários infelizes? Ninguém! Limite na criança todo mundo quer, na própria linguá, ninguém!

Enfim, espera-se que tudo isso aconteça e você esteja radiante, feliz, realizada! Mas não, você se sente acabada, infeliz, feia, chata (tem culpa de hormônio ai, mas deixaremos para outro post) e pensa o que? Que era feliz e não sabia! Claro!

Amiga, é normal sim! Mas é normal também pensar isso enquanto o bebê dorme sozinho no berço e correr lá para sentir aquele cheiro indescritível e morrer de vontade de acordá-lo para abraça-lo bem forte. Pois é, bem vinda! Vida de mãe é essa loucura de emoções toda, quase que o tempo todo! Mas você se acostuma e vai aprender a curtir, vai por mim…

 

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