Entrevista: 3 anos de amamentação unilateral! Mamãe Dani conta como!

Conheci a Dani em um grupo de Whats App de mães, na época, nossos filhos com idades próximas não tinham 1 ano e lembro de me impressionar com a história de amamentação unilateral dela (e outra historia de largar tudo para cuidar da filha e posteriormente largar tudo para ir com o marido para a Alemanha, mas ai é outra entrevista), eu não havia conseguido amamentar e achei lindo. Admirei como nosso corpo é perfeito, como mesmo um seio era capaz de produzir o alimento mais rico que existe e toda a historia participar daquela mãe lutando por isso. amamentar

Não entendia muito de amamentação na época, fui ler e pesquisar e amei! Por isso, não poderia deixar de conversar um pouco com essa mamãe linda sobre esse momento tão difícil, mas incrível da maternidade. Obrigada amiga pela entrevista tão linda e sincera!

PS; ela segue firme e forte com a amamentação unilateral há 3 anos.

 

  1. Como a ideia de ser mãe apareceu na sua vida?

Ser mãe sempre existiu em mim. Dizia para as pessoas “não me importo de não casar mas me entristece passar pela vida e não ter filho”. Nos últimos anos, antes da pequena nascer, todo dia das mães eu pensava “será que ano que vem serei mãe?”. Porém eu confesso que romantizei muito a maternidade antes de realmente acontecer. Eu achava lindo as propagandas da TV, parecia tudo lindo e fácil. Quando foi real a maternidade, percebi que tudo era bem diferente de como percebia e eu precisava desconstruir em mim uma maternidade que idealizei porque iria sofrer.

  1. E a gravidez?

Meu marido e eu não achávamos que ainda era o momento, que devíamos esperar por estarmos mais estáveis financeiramente. Acho que é aquele impasse que muitos casais passam e vão adianto a vinda do filho. Mas eu sentia que o meu relógio biológico estava na contagem. Estava com 35 anos, não podíamos demorar. Então, ela aconteceu.  Eu digo que a vinda da nossa filha foi escolha dela, que ela estava lá pronta para nós.

  1. Como escolheu o nome da Maelle, tão diferente?

Quando fomos escolher o nome, havíamos decidido que não queríamos nomes comuns. Nós temos nomes comuns, queríamos um que tocasse a nossa alma. Nós moramos durante 3 anos na França e somos apaixonados pela cultura francesa e língua. Começamos a busca em sites franceses de nomes próprios. Fizemos uma seleção porém nenhum tinha feito o nosso coração bater mais forte. Um dia nos deparamos com o nome Maelle. Tinha uma sonoridade que nos agradava, era lindo e diferente ao mesmo tempo. Quando descobrimos que o nome Maelle era um nome de origem de uma região da França, a Bretanha, e tinha como significado “princesa”, não tínhamos mais dúvidas do nome da nossa filha.amamentar

  1. Como foi o início da amamentação para você?

A amamentação foi bem difícil para mim. Apesar de ter feito cesárea, o leite desceu rápido e meus seios ficaram bem cheios. Ouvia muito das pessoas “precisa calejar o bico, dói mesmo”. Ela pegava melhor o meu seio direito mas o esquerdo era uma luta, não pegava direito. Depois de 20 dias de nascida, eu sentia muita dor, então procurei a primeira consultora de amamentação. Estava preocupada com a pega e queria ter certeza que tudo estava certo.  A pega estava correta, ela fazia boca de peixinho e as narinas estava livres. Mas a dor nos acompanhava, eu estava focada na dor que sentia. A cada mamada, eu chorava quando ela chorava porque queria mamar. Queria desistir mas não conseguia.  Com um mês, procurei outra consultora. Ela ficou vindo a minha casa praticamente uma semana, todos os dias. Tentamos diversas técnicas e não tivemos sucesso. Era muito dolorido para mim não conseguir amamentá-la de forma prazerosa. Eu sabia o quanto era importante o leite materno, sofri muito. Passei um mês tirando leite com a bomba e oferecia na mamadeira. Pensava em dar o leite assim até secar, já que não conseguia amamentar sem dor. Quando ela estava com 2 meses, eu disse para mim mesmo que procuraria pela última consultora. Ela foi a minha luz. Realmente a pega não estava errada, não havia absolutamente nada de errado. A consultora pediu apenas para eu mudar a posição das mamadas, não fica apenas na tradicional. Eu precisava apenas aceitar aquela dor, pensar no quanto eu queria amamentar e viver aquele momento. Como em um passe de mágica e poder da mente, as dores foram passando e eu consegui vencê-las.

  1. Quando decidiu seguir com a amamentação, mesmo que unilateral?

Durante toda a saga da amamentação, além da dor, eu tinha esse problema dela não pegar direito o meu seio esquerdo. Aos poucos eu fui oferecendo menos o seio esquerdo. Eu queria amamentá-la. Não me importava de ser unilateral. Acreditava que um seio era capaz de fornecer o leite que ela precisava, nunca duvidei disso. Então eu simplesmente, segui em frente. No começo era complicado pois meus  seios tinham tamanhos diferentes. Mas quando a amamentação regularizou, os dois ficaram iguais. Nunca tive vergonha, nunca me incomodou. O que realmente importava era oferecer o meu leite a Maelle.

  1. Você se sentia segura com essa opção?

Eu tinha em mente que queria amamentar. Nunca duvidei a capacidade de nutrí-la com somente um seio. Amamentar era tão mais importante do que o fato de ser unilateral. Enxergo que consegui fazer a amamentação em livre demanda e exclusiva por 6 meses. Depois ainda caminhamos somente com o leite materno até 2 anos. Sempre em amamentação unilateral.

  1. E hoje, 3 anos depois e ainda amamentando, como se sente ao ver esse caminho que percorreram e a Maelle tão linda e forte?

Sinto que conseguimos. Não batalhei sozinha. Quantas conversas nós tivemos, quantas vezes eu pedia a Maelle para nos ajudar, para que eu pudesse oferecer  o melhor leite que ela poderia receber. Amamentar é maravilhoso, é perfeito. Ver que o nosso corpo é capaz de fazer um ser humano crescer e desenvolver é uma verdadeira dádiva.

  1. O que te faz seguir em frente?

Todas as informações que eu li a respeito da importância do leite materno para o bebê. Além dos fatores financeiros que envolvem o uso de leite artificial, eu não conseguia aceitar a ideia de não amamentar. Eu pensava “meu corpo produz, é o melhor leite para ela, por que desistir?”.  Eu sabia de todos os benefícios do leite materno, sabia de todas as vitaminas que ela receberia, de como poderia ter uma saúde melhor. Não queria desistir. Lutei muito e hoje sinto muito orgulho de nós duas.amamentar

  1. Alguma dica para as mamães que querem amamentar mas enfrentam dificuldades?

Sigam sempre o seu coração, embora todas as dificuldades que tenham que enfrentar. A maternidade é vencer desafios constantemente, não apenas amamentar. Algumas mulheres têm facilidade, amamentam sem dor e parece ser natural. Para outras não é e tudo bem não ser. Se você tiver no seu coração que quer amamentar, busque ajude. Temos profissionais excelentes atualmente, bancos de leite pronto para ajudar. Se não der certo na primeira vez, tente a segunda, busque a terceira. Até o momento que o seu coração estiver em paz com a escolha que fizer.

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