Entrevista: Mamãe Gaby fala sobre moda sem gênero!

Nem me lembro exatamente como ou quando comecei a seguir a Gaby e o Lorenzo nas mídias sociais, mmoda infantilas me lembro como admirava as fotos divertidas que ela tirava com alguns Fuscas pela cidade e como aquele menino loirinho de cabelos cacheados me chamava atenção; Adorava o estilo deles, das fotos, das roupas, do jeito de ser. Uma vez a encontrei em um evento e foi a única vez que nos vimos pessoalmente, mas a sensação era que nos conhecíamos a tempos e sepre mantivemos contato.
Hoje, a entrevistada do blog é Ela, a Gaby Roth, mãe do Lorenzo e esposa do Fred. Amante desiludida da moda que encontrou no estilo único do filho uma grande paixão pela moda sem gênero e o apoio às pequenas marcas!

1. Me conte um pouco de como decidiu que estava a hora de ser mãe e como engravidou:

Sempre tive muita vontade de ser mãe! Uma hora o relógio biológico bateu forte, eu estava sem trabalhar – repensando a vida – só fazendo trabalho voluntário (com crianças por sinal) e como queria muito ser mãe em tempo integral, achamos que era o momento ideal. Mas não foi tão fácil, demorei um pouco pra engravidar, tive uma gravidez interrompida (bem no comecinho da gravidez, mas mesmo assim fiquei bem mexida) e depois levei alguns meses para engravidar novamente…daí deu tudo certo, tive uma gravidez tranquila e muito curtida, e hoje entendo que tudo tem o tempo certo, e que respeitá-lo é difícil, mas muito importante.

2. Quando começou seu interesse e trabalho com moda?

Na verdade meu interesse vem desde pequena!! Sempre gostava de vestir as Barbies e as bonecas, e também de me arrumar! Fiz faculdade de moda e trabalhei em diversas áreas: produção, figurino, vendas, marketing, mas nunca me senti realizada e nunca me encontrei, até o Lorenzo nascer. Através dele redescobri a moda e me reapaixonei.

3. Quando despertou o interesse em montar os looks do Lo?

Então, é muito engraçado porque foi algo muito natural. Eu nunca parei e pensei: “vou montar looks pro Lô”… eu simplesmente o vestia, da forma como achava bacana, e postava no meu Instagram para os amigos verem o Lorenzo, mas nunca com essa intenção de mostrar o look….mas aos poucos o meu Instagram foi crescendo, e as pessoas me pedindo dicas de moda infantil e foi acontecendo…sempre gostei de procurar marcas novas, ir à Feiras, estar por dentro das novidades…e Lorenzo sempre foi muito autêntico e sempre gostou de fotografar, então acabei unindo tudo isso. Minha paixão por fotografia, por compartilhar dicas, por moda, e foi rolando…e aí finalmente encontrei algo que me dá muito prazer em fazer! Mas nunca foi planejado! Na verdade sempre fui meio contra postar “looks”, especialmente com criança e no fim…a gente paga a língua!moda infantil

4. Como vê a moda para crianças?

Mudei demais meu pensamento de uns 2 anos pra cá…no primeiro ano do Lorenzo, eu comprava muito, tudo que eu achava fofinho, sem pensar e sem precisar, e comprava em lojas que eu não tinha tanto conhecimento dos processos, e muito menos uma ligação próxima, como a Zara por exemplo… conforme Lorenzo foi crescendo e fui vendo as reais necessidades dele, fui conhecendo marcas mais autorais, menores, com mais consciência nos processos, com mais história e mais amor. Passei a comprar menos e melhor, e apenas dessas marcas. Acredito demais nelas! Saber que elas me conhecem, conhecem o Lô, o carinho mútuo que temos…é demais! Comprando na Zara sou mais uma cliente. Para as marcas menores, sou a Gaby, mãe do Lô e isso muda tudo! Além disso, comprando dessas marcas sei que estou ajudando um pouquinho a construir ou a manter o sonho de alguém que conheço pessoalmente, e isso é muito bacana! E outra, elas realmente entendem as crianças de hoje, o que elas precisam…porque as próprias criadoras das marcas têm um contato direto com os clientes…elas fazem roupas confortáveis, sem gênero, coloridas, divertidas, como deve ser! Não curto muito criança vestida como mini adulto, mas respeito quem curte! Também acho que a moda infantil na sua maioria ainda é um pouco careta, especialmente nas grandes marcas e grandes magazines. Na minha opinião, criança não tem que se vestir como adulto – como já falei anteriormente – mas também não acho que tem que estar com uma camiseta de bichinho fofinho, tons pastel ou personagens… só porque é criança…acho que existe um meio termo bacana, moderno, e pra mim é o que as marcas menores vem trazendo! A Zara é um marca que tem esse perfil moderno também, mas daí entra outra questão: a de saber de onde vem a roupa que meu filho está usando… quem esteve por trás dos processos e em quais condições? Prefiro comprar de marcas que confio no processo, conheço de perto e sei de todo carinho e envolvimento com as peças. Acho legal deixar a criança participar das escolhas, mostrar o que gosta, apontar com o que ela se identifica numa loja… Lorenzo adora música, então ele gosta de se vestir com camisetas de banda e calça justa. Acho legal dar voz à ele, perguntar o que ele gosta, deixar ele escolher, deixar ele ser ele mesmo! Moda é uma forma de expressão e deixando ele escolher estou deixando ele se expressar verdadeiramente… E conforto sempre! Pra mim não tem nada pior do que ver uma criança numa moda infantilfestinha sem conseguir correr ou brincar, porque a calça é jeans ou apertada…acho que muitas marcas ainda precisam rever essa questão do conforto e da praticidade! O consumidor está bem mais exigente, pesquisando mais, cheio de informações, e isso é ótimo! Ah, sou fã das Feiras e Eventos infantis, que unem todas essas marcas bacanas, cheias de qualidade, bom gosto e propósito! Pra mim a moda pra criança que faz sentido hoje é essa! Sem gênero, confortável, feita com carinho e respeito, e preocupada sempre em evoluir nos processos e ter uma filosofia bacana! Infelizmente ainda vejo muita mentalidade antiga em muitas lojas infantis, roupas muito caretas, desconfortáveis ou cheias de frufrus… ainda vejo muita “roupa para menina” e “roupa para menino” e isso me incomoda bastante…acredito em roupa para crianças, com tecido gostoso e de qualidade boa, com as quais elas possam brincar, se sujar, se sentirem livres!

5. Você fala muito em seu espaço no Instagram sobre a moda sem gênero, como vê esse mundo? Consegue explicar um pouco sobre isso para quem não sabe?

Olha Lily esse assunto tem me fascinado e tenho pesquisado muito sobre ele! As pessoas confundem gênero com opção sexual, e isso é uma grande bobagem! Uma coisa não tem nada a ver com a outra! Não é porque meu filho gosta de usar legging, que isso o define como homossexual. Sou contra os rótulos em relação aos gêneros e acho maravilhoso todo esse movimento crescente nesse sentido. Essa história de menino não poder usar rosa ou brincar de boneca, ou meninas não poderem jogar bola ou brincar de carrinho….crianças são crianças, estão em fase de conhecimentos, descoberta…todas as brincadeiras são incríveis e todas as cores são lindas! E é ótimo elas terem a liberdade de escolher com que cor se identificam ou com que brincadeira se identificam…se induzimos as escolhas, elas caem num padrão e na mesmice, e criamos crianças iguais, sem a menor personalidade. E o mesmo vale pra moda! A moda sem gênero é justamente isso, peças voltadas para crianças, e não para meninos ou meninas! O mundo mudou e a infância dos nossos filhos hoje é muito diferente do que foi a nossa! E vai mudar ainda mais, então não dá pra não abrir a cabeça e não se adaptar!

6. Como você acha que isso é visto pelo Lorenzo e que influencias isso trás para ele?

Acho que Lorenzo que me levou a pensar assim e vice versa….na verdade nem sei o que veio primeiro… se eu influenciei ele ou se ele me incentivou… por exemplo, sempre usei legging nele e nem sei como isso começou… mas, porque ele não pode usar uma legging, se ele se sente confortável, e se ele ama Rock e se ele se sente um roqueiro quando veste?!? Por que ele não pode pintar as unhas se as amigas da mesma idade podem? Ele também quer experimentar, e na cabeça dele não existe nenhuma maldade, só na dos adultos! Acho que ele percebe que apoiamos ele, e isso me deixa muito feliz! Recentemente fui com ele numa festa a fantasia e coloquei uma peruca horrorosa, e literalmente paguei um mico, mas a alegria dele em me ver fantasiada junto com ele, não teve preço! Acho que ele sente esse apoio, sempre incentivamos que ele pode ser quem ele quiser! Não acho que o fato de eu permitir ele pintar as unhas, ter o cabelo comprido, ou vestir o que quer, vai influencia-lo na sua opção sexual. Não acredito nisso…mas estou longe de ter todas as respostas e também me questiono, por isso tenho pesquisado bastante!moda infantil

7. Como você acredita que isso influencia outras áreas da sua vida de mãe?

Acho que meu dia a dia de mãe é como o de todas, não acho que esse assunto tem grande influência na nossa rotina. Só quando o assunto em si, vem à tona… Atualmente muita gente tem perguntado se ele é menina, na frente dele, e isso tem mexido um pouco com ele. Então paro, converso com ele, explico, e logo fica tudo bem. Levamos muito na esportiva, o que deixa tudo mais leve. Lorenzo trouxe essa leveza pra minha vida. Acho que na verdade esse assunto e muitos outros, são uma baita responsabilidade pra gente! Quero ver ele feliz e acho que deixar ele ser quem ele é, é a melhor forma de conseguir isso!

8. Como foi para você deixar de trabalhar para engravidar e ser mãe, que benefícios você vê nessa decisão hoje?

Vejo muitos! Não é nada fácil, pelo contrário! Muita gente acha que você está “só” cuidando do filho, mas quem vive isso sabe que é bem punk…maravilhoso, claro, agradeço diariamente por poder estar sempre com ele, mas é bem cansativo e também solitário muitas vezes! Mas vejo muitos beneficios! Criamos um vínculo enorme, somos parceiros, Lorenzo é uma criança super feliz! E o tempo voa, amo aproveitar cada descoberta com ele, faria tudo de novo! Ele é uma criança maravilhosa e, modestia à parte, acho sim que tenho uma parcela nisso tudo. Dedicar tempo de qualidade aos filhos, conversar muito, tratar com amor é essencial! E hoje estou redescobrindo minha profissão através dele e desse tempo todo que passamos juntos, então sem dúvida fiz a melhor opção!

9. Como se sente, depois também de estar desapontada com esse mundo da moda, juntar o que era sua profissão com a maternidade?

Maravilhoso! Hoje sinto que estou no caminho certo e me sinto realizada, saber que estou ajudando de alguma forma outras pessoas, que estou unindo algumas paixões e que estou sempre próxima do Lô, não tem preço!!

E ai, gostou? Acompanhe essa família linda no Instagram @gabyroth

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