Entrevista: Psicologa e Mãe

Hoje é sexta-feira e aqui no blog é dia de me esquecer um pouco de conversar com amigos! Quero trazer posts e entrevistas diferentes de outras mães ou não que estejam dispostas a jogar conversa fora por aqui!

Hoje vou falar um pouco de trabalho pós maternidade com a também mamãe e psicóloga Raisa Arruda do perfil no Instagram @blogmamaepsicologa . Ela tinha um trabalho fixo antes de seu filho e depois que voltou da licença maternidade, decidiu trabalhar como autônoma. Muita mamãe acaba fazendo isso para ter mais tempo em casa e é uma opção cada vez mais comum. Quero contar um pouco da minha experiência sobre isso também, mas como hoje o dia não é meu, vou me calar e repassar a palavra…rsrs.. espero que gostem!

  • Filhos (nomes e idade)

Hugo, 13 meses

  • Ao escolher sua profissão, chegou a pensar em como seria esse trabalho quando tivesse filhos?

Sim!

  • Se for empregada: Qual a reação do seu chefe ao saber que você estava grávida?

Quando engravidei eu trabalhava num núcleo de acolhimento à usuários de drogas da prefeitura de Fortaleza, todos receberam a notícia com tanta alegria, tanto apoio, me falavam coisas maravilhosas sobre a maternidade!

  • Para mães autônomas ou empresárias: como ficou ao saber que estava grávida quanto ao trabalho?

Atualmente, resolvi viver minha profissão enquanto autônoma, para ter mais tempo com meu filho, e dar os primeiros passos para meu sonho: trabalhar na clínica e escrever sobre isso. A maternidade me deu a possibilidade de renovar meu caminho, e me deu coragem de mergulhar nisso. Durante os seis primeiros meses a dedicaçãoo foi exclusiva, escrevia com menos frequência, apesar de ser na escrita que encontro alívio para o cansaço.

  • Como foi sua preparação no trabalho para poder passar a licença maternidade tranquilamente?

A equipe toda me ajudou, na reta final organizei todos os atendimentos, e todas as direções de encaminhamentos possíveis, para quem fosse ficar com meus casos, soubesse o que fazer, ou soubesse o que eu tinha feito.

  • Quando voltou a trabalhar o bebê tinha que idade?

Quando ele fez 7 meses eu retornei para o núcleo, mas fiquei somente duas semanas.

  • Como se sentiu?

Eu me senti desesperada e desamparada. A carga horaria é desumana para que o bebê compreenda a nossa ausência, o cansaço é ainda maior, e eu sentia que não estava sendo presente nem com meu filho, nem no trabalho. E no final, nada sairia bem, como eu gostaria.

  • Como se sente hoje?

Realizada

  • Com quem o filho fica quando vai para o trabalho?

Com meu marido, ou com alguma avó, ou com a nossa diarista que é apaixonada por ele, e ele por ela!

  • Se sente segura deixando o filho com essa pessoa ou escola?

Muito, pois ele tem uma relação afetiva muito forte com todos.

  • O que faz para suprir o tempo longe do filho enquanto trabalha?

Em casa, só trabalho quando ele dorme. Já tento deixar algumas coisas encaminhadas. Quando estou com ele, estou com ele. Não fico aqui e a cabeça em outro lugar, sempre que começo a ficar ausente, ele logo percebe e me “puxa de volta

  • Como acredita que o filho se sente nessa situação?

Eu sei que ele sente falta, mas como é pouco tempo, quando fico fora, que sei também que ele é distraído com outras coisas, principalmente agora que ele já brinca e explora a casa.

  • Dicas para as mamães que estão voltando ao trabalho agora?

Estejam conscientes da escolha, e que tenham sempre em mente o que é mais importante. O tempo da criança é o agora, e não o futuro, porque o futuro só existe se o presente for vivido! Então, nada de endoidar pra dar um futuro melhor, dar um presente feliz, digno e com qualidade tem mais chances de garantia de futuro melhor.

  • Como psicóloga infantil, como percebe que o trabalho da mãe influencia a vida da criança?

A relação que os pais mantém com o trabalho vai influenciar a imagem que a criança vai ter da vida trabalhista! Se você trabalha com aquilo que não gosta, sempre reclama daquilo que faz, e normalmente trabalha pra se livrar, sem prazer, que imagem de trabalho você está dando ao seu filho? Nem sempre somos educados para ouvir nossos desejos, e acabamos escolhendo aquilo que os outros dizem ser melhor, sem que aquilo satisfaça, e quando isso acontece, corremos risco de não permitir que nossos filhos façam outro caminho, se não estamos conscientes das escolhas que tomamos…

  • Quando o trabalho da mãe é prejudicial a essa relação?

Quando o trabalho está acima de tudo, e tem um impacto negativo nas relações familiares. Quando o trabalho só da opção da mãe terceirizar o filho, ou quando faz sofrer. Se faz sofrer, alguma coisa deve estar errada…

  • Quando ele é favorável a essa relação?

O trabalho é uma maneira da renovar, recriar, absorver novidades, e dá movimento à vida e à relação. Quando os pais estão realizados naquilo que fazem, a alegria de fazer algo que se sente útil, e que se sente desempenhar um papel importante, vai reverberar nas relações familiares, e nas relações sociais. Quando se tem um trabalho que permite qualidade de vida, que permite viver a criatividade, e se permite viver a vida além do trabalho,  com certeza isso irá influenciar a positivamente a vida da família inteira.

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