Intimada a Madrinha

Já tem um tempo que penso em escrever historias engraçadas da minha vida ou de amigos que ouvi por ai aqui no blog! Não sou escritora e tenho até medo de me arriscar como tal, mas acho que muita coisa na vida deve ser compartilhada e decidi tentar! A primeira aconteceu comigo a alguns anos! Por favor, não deixem de opinar depois!

intimada a madrinha de casamento

“Festas de casamento são quase que um pedido ajoelhado para boas historias, não sei se a emoção ou o teor alcoolico, mas não conheço um casamento que não tenha uma boa perola vivida além dos noivos. No meu caso, o casamento não era meu e o desastre aconteceu antes mesmo de chegar até a igreja, podemos eliminar assim o álcool da brincadeira.

Era uma sexta-feira diferente, eu iria no primeiro casamento de amiga e estava excitada. Um pouco assustada, confesso, apesar de termos somente 22 anos, eu acabava de voltar de um intercâmbio de 2 anos nos EUA. Não tinha emprego, não estava estudando e não namorava, a realidade da noiva parecia estar completamente longe da minha e tive aquele momento: “Vou morrer solteira!”

Essa amiga que chamarei de Maria era minha melhor amiga desde o pré, porém já havia uns anos que nos falávamos pouco. Ela vinha de uma família festeira e na escola que estudei havia porradaria para ver quem seria convidado para suas festas que eram sempre as mais incríveis! Mas essa festa não era uma qualquer, era o casamento! Festa para 700 convidados, lugar maravilhoso, coisa de novela e eu, não poderia ficar de fora.

Dia começou cedo, unhas feitas e era hora de enrolar o cabelo que eu havia acabado de fazer escova progressiva, ou seja, babyliss, mouse, spray e horas de bobs foi o que tive que fazer para conseguir um leve ondulado. Vestido, sandália, brincos, tudo novo, tinha que garantir que depois de alguns anos longe da escola, eu seria surpreendente. Make ok, penteado mal se movia, tudo perfeito.

Casamento era na sexta às 18h em São Paulo e você morador da cidade já sorriu e entendeu a situação caótica, mas lembre-se que não morei aqui por alguns anos e ainda estava completamente perdida. Na época o GPS mais moderno era o site do Google Maps que você imprimia as direções e assim fui, virei a esquina e parei. Mais alguns metros e parei novamente.

Era dia de festa e não ia me estressar, coloquei um alto e bom som e comecei a cantar a la Celine Dion para o tempo passar rápido. No meio da nota mais alta de uma música qualquer reparei uma luz vermelha no painel do carro em um desenho que parecia um termômetro. Isso não poderia ser nada bom, mas estava quase chegando e já passava alguns minutos das 18h. Iria até a igreja e depois pararia num posto para ver o que estava acontecendo (super recomendado, inclusive).

“Agora é só virar a esquerda e…. ué cade a igreja?! Acho que tem algo errado com esse mapa!” E assim foi, por algumas voltas, até que vi um posto e resolvi parar. O moço muito educado resolveu meu problema (que era só água) e claro, já se adiantou para colocar todo tipo de fluido no carro para evitar problemas futuros (ou não!? Ainda tenho dúvidas). Já passava das 19h e pensei em desistir, mas aproveitei para perguntar onde era a igreja e era ali do lado, pensei que talvez pegasse o finalzinho e encontrasse algum amigo para seguir até o salão que estava estrategicamente posicionado do outro lado da cidade em um lugar que certamente não saberia chegar!

Achei não só a Igreja, mas uma vaga tão bem localizada que demorei alguns minutos analisando todo poste da região para ver se não encontrava algum sinal de que ali era proibido parar. Depois desse tempo todo, só me faltava ter o carro multado, ou pior, guinchado!

Bom, havia movimento na porta “acho que ainda encontro alguém”, cheguei pela lateral devagar, meio tímida só observando. Uma moça vestida de preto e usando um microfone, com cara de desesperada me olhou com alivio, agarrou o meu braço e disse: “Você!!! Por favor, me diga que é amiga da noiva!?”, meio sem entender respondi que sim com a cabeça, com um movimento tão sutil de quem não tinha certeza se essa era uma boa resposta naquele momento. Ela mal esperou minha resposta e mandou: ”A madrinha ainda não chegou, você poderia ser a madrinha para começar o casamento logo?!”. Meu primeiro pensamento foi: “Ufa, peguei o casamento do começo!” (já havia passado 1h e ½ e eu não sabia que hoje tem tanto casamento no mesmo dia que é impossível atrasar, realmente achei que era comum o atraso).

Meu segundo foi involuntário, uma força maior que eu fez a pergunta mais importante da noite: “Pérai!?!?! Quem é a noiva!?”. Não me atentei ao nome, só sei que a resposta não era a esperada e respondi: “E a Maria?!” e um olhar desconsolado me olhou e disse:” Esse casamento já acabou!”.

Entrei no carro com um misto de emoções, ainda perturbada com o desastre da noite e só conseguia pensar: “Caralho!!!! Graças a Deus perguntei o nome da noiva! Imagine se eu falasse que SIM!”. Logo imaginei a cara da noiva me vendo no altar e eu saindo de fininho como se nada tivesse acontecido!

Lógico que me perdi horrores para chegar na festa, mas ai já é outra história…”

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