Meu relato de Parto!

Já contei aqui no blog que queria ter parto normal. Desde muito antes de pensar em ter filhos, sabia que era isso que eu queria. Porque?! Não sei dizer, mas confio tanto no corpo humano que acho que se foi feito dessa forma, assim deve ser. Muita gente acha que é um atraso, coisa de índio e etc. Mas para falar a verdade, até onde sei, a cirurgia em qualquer área da medicina não é considerada um avanço, e sim algo estremo! Os avanços vem quando é possível chegar a “cura” sem o uso da cirurgia. E quer algo mais avançado do que um corpo que gera, da a luz e alimenta um bebê!?

PArto humanizado Bento

Primeiro contato mamãe e bebê! Incrível a sensação.
Toda dor passa, só sobra amor!

Assim conversei com meu ginecologista do plano de saúde quando soube da minha gravidez, ele se mostrou a favor! Para falar a verdade, não entendia nada de partos, não sabia dos procedimentos e nem entendia porque todas as minhas amigas que queriam ou diziam querer partos normais não “conseguiram” ter. Tanto que eu dizia: “Quero TENTAR parto normal.” E assim fui pesquisar: será que eu poderia fazer algo para o bebê ficar na posição certa? E para ele descer e encaixar? E para ter dilatação? Enfim, fui atrás para descobrir o que fazer para que eu não tivesse o mesmo problema que a maioria das mulheres que eu conhecia tiveram e por isso foram levadas a cesária (loucura a minha achar que a culpa é das mulheres e não do sistema).

 

 

Pesquisando cheguei ao GAMA, um grupo de apoio ao parto humanizado aqui de São Paulo e me inscrevi no curso deles. Lá descobri muita coisa sobre o parto e assim tive a certeza que teria meu parto normal como eu gostaria. Mas vinha outra questão: será que meu médico de convênio intervencionista (com grande porcentagem de cesárias) respeitaria isso? Fui conversar com ele, falei das intervenções, o que eu queria ou não e ele se mostrou a favor. Não vi necessidade de trocar, o plano cobriria a parte dele, ele era meu médico, se mostrava a favor e eu não era radical, só não queria intervenções mais cirúrgicas (ocitocina, epísio e etc) e claro, um respeito com minhas vontades.

 

 

Encontrei uma doula, queria uma experiente para me ajudar, já que o médico não era o humanizado esperado. Também encontrei um pediatra para acompanhar o Bento durante o parto e depois (melhor investimento possível).

 

 

No encontro com a doula com 36 semanas, eu sai bem desanimada, o bebê estava perfeito, o médico se mantinha a favor, mas ao invés de sair com informações sobre massagens perineais, Epi-no, exercícios e posições para ficar na hora do parto para ajudar o bebê, formas de aliviar dor, massagem para o marido fazer que poderiam ajudar e etc. Sai com um medo do médico, achando que minha decisão teria me levado direto para uma cesária.

 

 

Resolvi conhecer uma médica humanizada. Adorei ela, mas o destino fez com que eu ficasse com meu médico mesmo e mesmo com um sexto sentido estranho sobre a doula, a mantive já que não conhecia outra.

 

 

Acordei no dia das 40 semanas com cólica. Normalmente acordava umas 5 ou 6 da manhã para ir ao banheiro e comer algo. Esse dia não conseguia dormir e fiquei enrolando, senti essa cólica constante que já havia sentido antes. Esperei o sono chegar e voltei a dormir, nesse momento consegui perceber que as cólicas começaram a vir com as contrações e pensei: “Opa! O Bento esta chegando!”

 

 

Levantei entre onze e meio dia e as contrações pareciam muito próximas apesar de pouco doloridas. Fui contar e percebi que elas vinham com no máximo 5 minutos, mas variavam entre 2, 4 e e assim vai. Eram fracas, apesar de próximas eram bem suportáveis. Aproveitei para avisar os envolvidos (doula, obstetra e pediatra) que hoje ou amanhã o Bento poderia chegar, assim todos estariam preparados.

 

 

Não queria ficar em casa, esperando sem saber quanto tempo poderia durar. Como o marido precisava colocar gasolina no carro, fui com ele, aproveitamos e paramos em um restaurante árabe que adoro perto de casa. Pedi comidas mais rápidas para sair correndo se necessário. Entre quibes, esfirras e babaganoush as contrações foram aumentando e ficando meio chatas de aguentar no restaurante então comemos rápido e viemos para casa.

 

 

O marido foi levando tudo para o carro, eu decidi tomar um banho. O chuveiro era maravilhoso e aliviava a dor. Porém comecei a ficar preocupara porque ainda não tinha resposta da doula (havia mandando mensagem no celular) e estava sentindo a dor aumentar cada vez mais.

 

 

Tentei sair do chuveiro, andei pela casa, resolvi voltar para o chuveiro. Devia ser um pouco mais de 16h e falei para o marido ligar para a doula urgente, nessa hora ela deveria estar a caminho porque eu realmente já não sabia o que fazer, a quantas andava a evolução, outras posições para aliviar as dores. Nessa hora, me mantinha bem humorada, conversando com o marido, tudo bem até ai.

 

 

Ele ligou para a doula que estava doente e não poderia vir, ela passou o telefone de outra pessoa que no telefone parecia um amor. Fiquei calma, afinal, já sentia que algo não daria certo ali e não adiantaria ficar nervosa. O problema é que a nova doula não estava preparada para esse dia e estava longe, provavelmente não viria até minha casa que é longe, como eu gostaria.

 

 

Continuei ali, mantendo a calma, sentindo as dores irem e virem, tentando contar as contrações que pareciam um pouco mais ritmadas, mas não sabia dizer quanto, fiquei bem confusa com elas. Até que umas 19 horas a antiga doula ligou e ao conversar com o marido achou melhor eu ir para o hospital e encontrar a nova doula lá. Eram 19h e quem conhece São Paulo sabe do transito. Queria esperar um pouco mais, mas o marido não deixou e me troquei e lá fomos nós.

 

 

O carro foi ótimo no primeiro momento, ver o movimento, me distrair, mas levamos uma hora para chegar no hospital e os últimos 15 minutos começaram a ser insuportáveis. Não tinha mais posição, queria sair andando na rua enquanto o transito estava parado, mas não queria nenhum desconhecido vindo até mim, então aguentei!

 

PArto humanizado Bento

Família, quer algo melhor?

 

Chegamos no hospital e logo a doula veio me ajudar, logo simpatizei com ela, cara de pessoa boa, passava um sentimento de paz! Ela me ajudou a subir para a maternidade enquanto o marido estacionava e ai meu inferno realmente começou.

 

 

Mil perguntas entre contrações muito fortes, endereço, nome, plano de saúde e etc. Meu marido tinha tudo separado, mas ele ainda não havia subido e eu lá, respondendo pacientemente todas as perguntas. Depois medem pressão e etc, eu lá, tendo que ficar sentada, numa posição dolorida. Marido lá, doula presente, pode entrar para mais exames! A doula ainda não!

 

 

Troca de roupa, deita na maca. OI!? Deita na maca?! Só quem esta em trabalho de parto bem ativo sabe a dor que é deitar! Pedi pelo amor de Deus que me deixasse ficar sentada, não podia, a maca poderia virar! Desespero, me contorcendo de dor e antes que eu esqueça, mais perguntas: tipo sanguíneo, alergias, última vez que comeu! Converse com seu médico ou doula para tentar levar tudo isso por escrito, adoraria não ter que pensar nisso enquanto a enfermeira media minha dilatação e eu deitada.

 

 

Ela me manda: “8 para 9 centímetros!”. E eu pensei: “irado, logo logo ele chega!” A dor estava bem forte, mas tipo já que estava acabando eu aguento. Dispensei a anestesista! Vamos para a sala esperar o médico. E minha doula? A enfermeira não queria deixa-la entrar porque ia me levar para a sala de cirurgia na maca na qual eu deveria permanecer deitada. Eu e o marido: “ Não farei cirurgia! Cade aquelas suítes de parto?!” O marido tentando trazer a doula. Ok, arrumei uma suite! Já avistei a banheira! Legal, tudo certo, a doula chegou!

 

 

A enfermeira (a mesma chata) queria que eu ficasse deitada na maca esperando o médico! Louca né!? Tentei me levantar e ela disse: “ você vai cair” e eu respondo: “me deixa cair!”. Me passaram para a cama, me levantei e pedi para entrar na banheira e a mesma chata fala para a minha doula: “ela não pode entrar na banheira ou o bebê vai nascer!” Horas?! Não é por isso que eu estava lá!?

 

 

O médico chegou! Ufa! Permitiu que eu entrasse na banheira e lá fiquei, tentando relaxar com a ajuda da doula e do marido. A banheira era pequena, mas dava para aliviar as dores nas costas que a essa altura estava insuportável! Porém, as contrações não estavam aliviadas e o tamanho da banheira me impedia de mudar de posição para uma mais confortável.

 

 

Olhei no relógio e era quase 23horas. Estava desde umas 20 no hospital com 8 para 9 de dilatação. Achei que a essa hora o bebê já teria nascido. Sai da banheira, preciso muito de uma anestesia, estou cansada, estressada e todo esse processo hospitalar acabou com minha concentração para o bebê nascer, aparentemente tudo estava paralisado nos 9 centímetros ainda. Me senti incapaz de tê-lo nessas condições de dor e stress.

 

 

Não conseguia mais ficar em pé. Deitei na cama e ela me pareceu tão confortável. As costas apoiadas, delicia! A anestesista demorou um pouco mais apareceu, nessa hora já queria matá-la pelo tempo que demorou, mas depois do sofrimento para fazer a posição que ela precisava para dar a anestesia, tudo mudou. O médico não quis usar o cardiotoco para ver se o bebê estava bem, só ouviu o coração e tudo ótimo!

 

 

Nada como sentir as contrações de forma leve. Estava pronta para empurrá-lo. O médico que estava muito respeitoso, me dando opções e respeitando minhas escolhas ficou ali, tentando ajudar o bebê a descer enquanto eu fazia uma forcinha. Ai entra a diferença do meu médico para um humanizado, ele precisa fazer algo, nesse caso, “massagens” para ajudar o bebê a descer. Naquele momento, estava feliz da vida, só queria que o Bento nascesse logo.

 

 

A bolsa ainda estava intacta, ele perguntou se poderia furar, eu não permiti. Ok, ele respeitou! Eu pedi para ficar na posição (sem as tais perneiras) e ele deixou. Usei as alças da cama para fazer a força necessária e assim foi. Muita força, nessa hora, pouca dor (por causa da anestesia) mas é difícil saber se esta fazendo a força correta, pois se sente menos. Porém, com tanta manipulação para ajudar o bebê, a área começou a inchar e ele precisava sair logo, o médico me pediu para usar o fórceps, com muito medo, não disse nada, nessa hora já sabia que não podia opinar muito, só não queria a episiotomia e ele respondeu: “Não gosto e não faço episiotomia, pode deixar!”.

 

Parto Normal

Primeiro mama logo depois do parto!

Ele usou o fórceps e rapidamente como uma explosão o Bento veio! Graças a Deus super bem, direto para meu colo! O marido tranquilo ao lado, me falando o que estava acontecendo: “ Vejo o cabelo! Fica tranquila, ele esta vindo!” Nessas horas a gente percebe a importância de ter essas pessoas ao lado. A doula carinhosa, tranquila e com mãos mágicas que ajudam muito na hora da contração. O marido apoiando e ajudando o filho dele vir ao mundo! Incrível.

 

 

Ao nascer tudo passa, me senti uma louca por ter optado pelo parto normal no começo, muita dor mesmo, muita gente falando. Entre a enfermeira chata (que não apareceu mais graças a Deus) e as enfermeiras legais dando o apoio. Até os plantonistas: “ Nossa, você dilatou tudo isso sozinha, parabéns, você esta indo bem!”. Enfim, você se sente uma louca mas uma guerreira. Pensa no porque fez aquilo, no bem que todo esse dia maluco fez para seu filho e você.

 

 

O pediatra estava junto, aguardamos o cordão parar de pulsar, marido cortou o cordão. O Bento foi levado um pouco porque estava cansadinho, mas nada que um pouco de oxigênio já tenha dado conta. O obstetra deu uns pontinhos nas duas lacerações, uma menor outra um pouco maior, mas nada muito grave.

 

 

Logo fui para a recuperação, por causa da anestesia, minha pressão estava baixa. Mesmo assim, logo o Bento veio mamar e ficar com a mamãe, só tomou vitamina K via oral, nada de colírios e etc! Fui para o quarto, a enfermeira que me recebeu sorriu e disse: “Adoro mamães de parto normal! Eu tive dois!” e pouco tempo depois chegou meu pequeno com ainda mais fome para não desgrudar mais. Depois disso só foi levado para fazer o teste do pesinho e tomar as vacinas necessárias no dia a alta!

 

 

Tomou banho mais de 24 horas depois do parto no nosso quarto dado pela mamãe e o papai no balde! Claro que acompanhado pelo pediatra. Ele estranhou mas relaxou ao mesmo tempo! Foi lindo!

 

 

Minha recuperação foi ótima. O pior mesmo foi a pressão que caiu depois da anestesia!

 

 

Essa experiencia é maluca, percebi como estar preparada ajuda. Até chegar ao hospital a dor era grande mas controlável, minha mente estava 100% no nascimento do bebê e tudo corria perfeitamente. Hoje acho que se optasse por um parto em casa, por exemplo, teria sido mais rápido e menos dolorido. Porém, não posso negar que ter profissionais especializados para ver se esta tudo bem, contou muito!

 

 

Nos primeiros dias fiquei meio impressionada com a dor, do tipo não sei se quero ter outro filho na vida. Mas a dor, apesar de intensa é por algumas horas e saber que eu fiz meu filho nascer, senti ele dentro de mim vindo ao mundo, na hora que ele escolheu e estava preparado (23:40 do dia 10, 20 minutos antes do dia de São Bento!) me fez sim me sentir uma mãe melhor que coloca o bem estar do filho acima de tudo.

 

 

Não digo que sou melhor do que outras mães que tiveram opções diferentes, mas me senti assim. Super mãe, super conectada ao meu filho que veio ao mundo com a mesma naturalidade e amor que foi concebido!

 

 

Beijos

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