Minha experiência: LM x LA

 

Escrevi esse Post quando Bento tinha aproximadamente 5 meses. Nunca me arrependi de dar leite artificial para ele, mas sempre carreguei comigo que com outro filho, seria diferente. Hoje que tenho muito mais informação e segurança e que já estou no segundo filho, percebo que me apavorei a toa. Se tivesse persistido, teria amamentado de boa e ele crescido normalmente! Usava chupeta com Bento e esse relato é um dos maiores motivos para eu não ter dado para a Chiara. Hoje leio e estudo mesmo sobre amamentação, por isso, teria feito diferente, sei apontar meus erros e sei também que o psicologico influenciou muito! Hoje sei que posso confiar 100% no meu leite e amamento no mesmo ritmo que falo abaixo (mama devagar, dorme no peito), mas Chiara ganha peso. Enfim, siga seu coração, mas se informe muito! Dar o leite artificial na maioria das vezes é um caminho sem volta, tanto o bebê quanto a gente se acomoda! (comentário escrito 25/05/2016) Post escrito em novembro de 2014)

“Falar sobre amamentação é muito complicado, cada pessoa tem uma experiencia, um sentimento diferente com esse momento e por isso demorei um pouco para falar sobre minha decisão de complementar o peito com leite artificial. Mas hoje, estou segura de que tomei uma boa decisão e resolvi contar minha experiência sobre isso. Tudo porque me informei muito e decidi com meu coração.

Não tem erro, coração de mãe não falha, por isso, leve sempre em consideração seu sexto sentido antes de tomar decisões precipitadas sobre amamentação e complemento. Acho a amamentação incrível, mas também acho que há muito radicalismo a seu respeito. Por isso, tome sua decisão de acordo com você e não os outros.

Durante a gestação, tive muito medo de não conseguir amamentar, nem sabia sobre a recomendação da OMS de amamentação exclusiva até os 6 e complementar até 2 anos, simplesmente tinha medo. Tenho prótese e foi colocada pelo mamilo, para esse procedimento, se cortam os dutos e se o médico não uniu, pode ser que você não consiga. Como coloquei prótese com 21 anos, não me preocupei nenhum instante com o quesito amamentação, porque estava muito longe da realidade e nunca perguntei sobre isso (talvez minha mãe tenha perguntado, mas não me ative muito a resposta).

Além disso, tenho hipotireoidismo e mesmo controlado, durante a gravidez e pós tudo muda e é necessário ficar atenta para conseguir manter a dose certa do remédio. Como os hormonios da tireoide são responsáveis pelo funcionamento dos nossos orgãos, pode afetar a amamentação. Além disso, tive prolactina alta antes de engravidar (e lembrei depois que a prótese não era um grande problema, pois durante a prolactina alta, tinha um pouco de leite nos seios) o que não seria um problema, mas algo bom, só que tomei remédio para ela baixar e li que poderia afetar a amamentação. Tomei somente por 1 mês, mas fiquei nessa dúvida.

Quando grávida, só vi o colostro na semana que Bento nasceu e fiquei muito feliz. Li sobre os tipos de leite, como nosso corpo produzia leite, sobre colostro, pega e achei que sabia o suficiente para ter uma amamentação de sucesso. Bento veio ao mundo e na primeira hora já mamou, o pediatra que acompanhou o parto me ensinou sobre pega e como arrumá-la e pronto, pensei que no máximo sentiria dor e só.

Na primeira semana, Bento mamou como um louco, tipo 95% do tempo, não dormia, só mamava. Eu virei um zumbi mas fiquei ali firme e forte, mesmo com o peito dolorido, porque o médico me afirmou que era normal. Fomos para a primeira pesagem pós nascimento (ele nasceu com 3,400 e saiu do hospital com 3,200, o que é totalmente normal nos primeiros dias de vida) e tinha arrasado, ele retomou o peso.

Tudo estava perfeito, era só continuar e tudo daria certo. Continuei, ele mamava bastante, dormia no meio, eu julgava que ele estava satisfeito, logo ficava com fome, dava mais peito, enfim, tudo me parecia normal. Fomos para a consulta de 1 mês e ele tinha ganhado somente 12 g/dia (o mínimo recomendado é 20g, mas o ideal é ao menos 30g). Fiquei muito triste, ele mamava tanto, mas tanto, como isso tinha acontecido? Além disso, as fezes dele se tornaram verdes bem escuras e aguadas nessa fase, tinha certeza que tudo tinha relação.

Minha pediatra não me falou nada sobre amamentação, mas disse que achava que isso era um problema de técnica e sugeriu que eu pedisse ajuda para uma enfermeira especializada em amamentação. Eu fui para casa e sai pesquisando tudo, li muito sobre mães que tiveram o mesmo problema, li, li e li. Descobri que o bebê mamar por muito tempo não significa que ele mame bem, pelo contrário, normalmente eles mamam cada vez mais rápido e isso é o normal.

Bento dormia mamando e eu tirava, descobri que dormir não significa que eles esteja satisfeito, então cutucava ele e tive toda paciência do universo para esperar ele terminar de mamar, como li muito pensei em tentar o que tinha aprendido e se não funcionasse, chamaria uma enfermeira.

Depois de 2 semanas, ele passou de 12g/dia para 27 g/dia. Fiquei muito feliz, assim a pediatra falou que estava ótimo e não precisaríamos nos preocupar. Depois de mais 2 semanas, 24g/dia. Parecia tudo normal, mas ele tinha caído muito na tal linha de crescimento, saiu de percentil 50 para menos de 10. Nessa hora procurei ajuda profissional.

Não tem nada melhor! Nada! Amamentar pode não ser tão fácil quanto parece, algumas mamães tem  muita facilidade, outras não. Porque depende do bebê também. Conheço mães que amamentaram o primeiro filho sem problema algum por quase 2 anos e o segundo filho por 8 meses. Enfim, não é só uma questão de produção, a produção se adapta a necessidade do bebê e se por algum motivo ele não conseguir mamar direito (prematuro, pega errada, bebê preguiçoso), o leite vai diminuir.

No meu caso, Bento era preguiçoso, mas todas as questões que citei acima sobre mim, me atordoavam, será que era só ele ou eu não estava conseguindo produzir direito?! A consultora de amamentação falou que ele estava bem, que era só não deixar ele dormir para a amamentação ser cada vez mais eficiente e que a curva era o de menos, na realidade, ele poderia ser pequeno (a curva de altura também estava baixa) por um biotipo mesmo.

Eu não era pequena (nasci com 3,900 kg e 50 cm), meu marido também não. Acordei Bento, acordei, era uma guerra, comecei até a perder o prazer de amamentar, me isolei para ele não se distrair e cutucava, tirava do peito quando ele não acordava, ele ficava muito bravo e assim fomos. Amamentava na posição de cavalinho, ele dormia menos, mas as vezes ficava bravo e chorava muito. Comprei compressa de água quente para facilitar a saída de leite, tirava com a bombinha durante o dia e dava uma dose extra de mama, enfim, tudo que podia.

Mais uma consulta de 20g/dia. Curvinha abaixo da última linha. Não aguentei mais. Pode ser que ele tivesse saudável e peito fosse o suficiente, mas psicologicamente já não tinha certeza, comecei realmente a achar que o melhor era complementar.

Conversei com uma amiga, o filho dela tem 1 ano e ela complementa desde a segunda semana (na realidade porque ela quis mesmo, para ter um pouco mais de liberdade e estava super feliz e segura da sua decisão). Sai de lá feliz, sabe!? Era o que eu queria ouvir! Que se eu quisesse ele mamaria no peito e o complemento, que somos mães, mas merecemos ser felizes também! Que não seria uma mãe ruim se desse o leite artificial para ele independente do motivo.

Fui segura e feliz comprar o leite, comecei com o Aptamil (ele ficou com o intestino muito solto, dou oEnfamil agora). Minha ideia era dar o leite somente a noite que era quando ele mais dormia mamando e era mais difícil de acordar. Tentei no copo, mas ele não pegava dormindo e acordado puxava minha mão e caia tudo. Fui para a mamadeira mesmo, ele mamou tudo e quis mais. Acordou depois de 2 horas com fome, dei mais e dormiu como normalmente (dorme as 20:30, ai dou um mama mesmo que ele estiver dormindo umas 22:30 e ele acordava umas 2:30 ou 3 horas, depois umas 5 e então as 7). Acordou e tentei dar só o peito e ele esvaziou os dois rapido e ficou chorando.

Não consegui evitar, ele começou a mamar tipo um louco mesmo, mamava no peito e ainda queria 180ml, chegou a 210 ml pós peito com 3 meses e meio. Fiquei com um pouco de medo, mas até a mamada ficou melhor, ele parou de dormir no peito, sugava rápido, assim como faz na mamadeira.

Passou alguns dias e começou a diminuir a dose do leite artificial. Para não deixar de estimular meus seios, uso a bombinha umas 2 vezes por dia. Hoje ele esta mamando e tomando o L.A. a quase 1 mês. As vezes se irrita com o peito, as vezes mama todo peito, as vezes saio e não dou o peito (essa é a vantagem de dar mamadeira, não posso evitar de me aproveitar). Cheguei na pesagem 15 dias depois da introdução do L.A e ele havia ganhado 62 g/dia (sabia disso, tudo nele tinha mudado) e crescido também, muito mais! Tive a certeza que tomei a decisão, depois de crescer tudo isso ele mesmo recusou as grandes doses de L.A e começou a moderar, agora só semana que vem para saber como foi o primeiro mês.

Meu conselho: não vá direto no que o pediatra diz, a minha me estimulou muito para ficar só na amamentação, mas também não me informou muito sobre. Pediatrasnem sempre entendem direito do assunto (sim, fiz uma pesquisa e pude constatar isso), na primeira pesagem, muitas vezes o bebê esta dentro do normal, mas o normal para baixo e eles já querem complementar, muitas vezes por motivo nenhum! Então, procure ajuda. Você pode pagar por uma consultoria particular na sua casa ou até por skype, se não pode ou não quer pagar, procure enfermeiras nos bancos de leite ou na própria maternidade que o bebê nasceu. Procure grupos de discussão na internet, tem vários! Leia relatos bem sucedidos. Tem técnicas como translactação que pode ajudar o bebê a ganhar peso e é mais fácil de tirar depois, tem vários estímulos para os seios produzirem mais leite, procure o que você se sentir bem!

Conselho 2: seja feliz! A amamentação não pode ser um fardo, tem que ser prazerosa! Tem mãe que não gosta, horas! Tome a sua decisão, dentro do seu coração e não se sinta mal por isso! Agora se indicaram o leite artificial e você não acha necessario, busque ajuda! Faça de tudo, como eu fiz, quando decidi pelo leite artificial, não me senti mal, me senti livre e feliz, sabia que tinha feito de tudo e que tomei a melhor decisão para nós!

Beijos”

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