Relato: A mamãe Kathi conta sua luta contra um linfoma!

Não me lembro exatamente como conheci a Kathi, mas foi pelo Instagram e já faz tempo. Adorava ver o lindo sorriso sincero dela e seu menino travessinho lindo. Lembro do dia que contou que estava se armando para lutar contra um linfoma que havia descoberto. É incrível como muitas vezes, mesmo não conhecendo algumas pessoas pessoalmente, suas lutas passam a ser nossas e sua vida passa a entrar nas nossas orações.familia feliz

Sempre entrava no seu Instagram para acompanhar o desfecho dessa luta, sempre a via com aquele sorriso maravilhoso e contagiante. É incrível como achamos forças nas dificuldades dos outros, repensando nossa forma de ver a vida, nossas dificuldades, nossos sentimentos. Acho que ela não tem a noção de como a história dela toca meu coração e como estou aqui de pensamento positivo enviando forças para ela.

Pedi que fizesse um resumo de sua história para que eu formulasse perguntas para a entrevista, mas não havia resumo para essa história e recebi a história completa, maravilhosa como é e eu não quis me intrometer. Deixei assim, com suas palavras para que ela mesmo contasse o milagre lindo que é sua vida, todos os dias…

“Vou começar me apresentando:

Sou Kathiane Chinelate, 36 anos recém completos em 18/06, geminiana (não que eu acredite em horóscopo, mas sempre leio porque “vai que bate”, não é? rs), casada com o Carlos Filipe (ig @caffe_filipe), engenheira civil por profissão e mamãe do Travessinho Matheus por amor.

Matheus é minha paixão e meu milagre. Para entender esse milagre, vou voltar um pouco no tempo.

Um mês antes de me casar em 2011, resolvi abandonar os anticoncepcionais, tamanho era meu desejo de ser mãe. No dia do nosso aniversário de 6 anos de namoro, nos casamos. Havia acabado de completar 30 anos, estava no início da minha carreira, e muitos amigos achavam que era cedo, mas a grande maioria desconhecia as possibilidades de eu me tornar mãe.

Para entender tudo isso, preciso tocar em outro assunto que vem lá do passado mais remoto.familia feliz

Em 1993, aos 12 anos, fui diagnosticada com um câncer maligno, conhecido como carcinoma, localizado na região cervical. Já em fase de acompanhamento da doença, em 1995, houve uma suspeita sobre um possível tumor nos ovários, que graças a Deus não se confirmou, contudo necessitei fazer retirada parcial deles (50% do direito e 75% do esquerdo, ou o contrário? já faz tanto tempo que nem me recordo kkkkkk). Me lembro ainda anestesiada no pós cirúrgico do médico dizendo a meus pais ” é possível que ela nunca engravide”.

Enfim, as possibilidades eram pequenas mas ainda assim não desisti! Matheus era desejado mesmo antes de eu conhecer o Filipe. 

Após 4 meses frustrantes da vida de tentante, a primeira gravidez veio junto a um grande susto, o meu desemprego. Eu estava desempregada há um mês. A novidade veio como um bálsamo para acalmar o coração. Porém no final de fevereiro de 2012 um sangramento me trouxe a notícia da perda, a gravidez foi interrompida.

Neste momento, parei temporariamente de pensar em voltar a trabalha, visto que estávamos de mudança para outro estado (aqui abro um parênteses para uma curiosidade em minha vida, sou praticamente uma cigana, já perdi as contas de quantas vezes me mudei, só após o nascimento do Matheus já nos mudamos 6 vezes – e olha que ele só tem 4 anos).

Ser mãe se tornou uma meta em minha vida. Era meu plano, meu futuro! E me empenhei muito, até acrobacias com direito a pernas para o ar durante meia hora para ajudar eu fiz, ahahah. Uma fase boa, mas também muito angustiante. Em agosto de 2012 veio a segunda gestação. Uma gravidez com direito a descolamento de placenta, princípio de depressão (diagnosticada muito tempo depois) e muita solidão. Não entendia como uma coisa tão almejada pudesse trazer tanto sofrimento ao meu coração. Eu tinha muito medo! Hoje entendo que era apenas a fase pela qual estava passando.
Foi nesse período que comecei a conhecer o instagram. Ele fez com que eu voltasse a ter contato com o mundo exterior, e me ajudou muito na maternidade como um todo.

Matheus chegou em 17/05/2013. Após 17 horas de trabalho de parto, o parto normal não foi uma opção por falta de dilatação. Conheci o parto cesariana humanizado. O parto foi lindo. A equipe técnica colocou o CD que eu havia escolhido, a médica segurou minha mão enquanto eu tomava a peridural, eu pude ver todo o procedimento (com exceção da incisão e fechamento). Me lembro do momento em que vi a mãozinha do Matheus saindo da minha barriga… foi realmente muito emocionante!

A médica limpou-o com tanto carinho e depois segurou em seu peito em agradecimento a mais um parto, parecia ter feito alguma oração silenciosa, colocando-o em seguida sobre o meu peito. Aquele pequeno milagre estava naquele momento de olhos conectados ao meu, e eu me vi perdidamente apaixonada por ele. O retiraram de mim apenas para a limpeza e medições necessárias e nos permitiram ficar grudadinhos corpo a corpo por horas a fio.
Ele cresceu muito saudável, apesar da dificuldade em fazê-lo comer (é muito ruim de garfo, desde a introdução alimentar) e tivemos uma amamentação prolongada em livre demanda até aos 2 anos e 2 meses, e só paramos por necessidade minha. 

Eu precisava me tratar de uma “alergia” que me consumia e já me acompanhava há meses, porém todos os remédios que eu podia tomar (por conta da amamentação) não surtiam efeito. Após um ano investigação descobrimos que na verdade não existia alergia, e sim um sintoma do Linfoma de Hodgkin.

Em 09/2015 a descoberta veio através de um linfonodo alternado na região cervical sem motivo aparente. Após uma cirurgia para biópsia veio a confirmação da doença. Diga-se de passagem, uma doença que é muito bem protocolada, com 95% de possibilidade de cura. Não estava com medo, estava muito confiante! Foram 6 meses de quimioterapia tipo ABVD (cada letra corresponde a uma medicação diferente) e minha última sessão foi no dia do aniversário do Matheus. Precisei aguardar 2 longos meses para refazer o exame PET-CT¨(um tipo de tomografia que revela as alterações do metabolismo celular, com ele é possível verificar se existe algum tipo de tumor bem como seu estágio). familia feliz

O resultado não foi o esperado, verificou-se um ponto próximo ao coração em estágio evolutivo, então precisamos entrar com 20 sessões de radioterapia. Após essas sessões recebi minha “alta temporária” em 13/09/2016, fase de remissão da doença, e precisaria apenas fazer acompanhamento médico por 5 anos.

Demos sequência em nossas vidas.

Em fevereiro deste ano resolvemos arriscar e nos mudamos para Jacareí-SP, precisávamos de novos ares bem como uma recolocação no mercado de trabalho, já que em Minas Gerais estava muito complicado.

A surpresa veio em 03/17 quando o prurido voltou fortemente, e era um dos sintomas mais presentes da doença. Precisamos voltar a MG, já que nosso plano de saúde só tinha cobertura regional. Fiz uma pequena mala para 3 dias, uma para mim e outra Matheus, e acabamos ficando o mês inteiro.

O exame trouxe a confirmação da recidiva, muito mais agressivo e em 13 lugares do pescoço e tórax. Apesar da possibilidade de retorno da doença, não esperávamos que viesse, e com tamanha rapidez. Enfim, o problema estava ali e precisávamos encarar de frente novamente. Fiz algumas sessões de quimioterapia, agora seguindo um novo protocolo tipo ICE, para não permitir que a doença avançasse, e ainda será necessário o transplante autólogo (nesse transplante minhas próprias células tronco são utilizadas no transplantes), que ainda estou em processo para realizar.

Acreditamos que até o final de julho eu faça o transplante e entre em remissão da doença novamente, fazendo novo acompanhamento por 5 anos.

O desemprego teve um lado positivo nisso tudo, meu marido pode me acompanhar em tudo. Ele tem me dado todo o apoio do mundo, um super marido!

Temos fé que após todo esse período de muito aprendizado, as coisas voltem ao normal. 

Ainda não chorei, e sinceramente não sei se isso vai acontecer. Não por tristeza, não por medo, não por indagações do tipo “porque eu?”. Chorei sim por gratidão, por gentilezas, por amigos, por amor.
Acredito que Deus tem um propósito para tudo e a única coisa que sempre pedi em minhas orações foi para que Ele nunca me desamparasse, e me desse forças nos momentos mais difíceis, para que eu pudesse ser Seu instrumento de fé a amor ao próximo. Acho que Ele tem me atendido sempre!
Não posso dizer que tudo isso é fácil. Não é! Os efeitos colaterais da quimioterapia são bem ruins , e também têm os efeitos do granulokine, que se somam aos da quimioterapia, com muita dor nos ossos, articulações e músculo. Mas toda essa etapa me fizeram ter mais consciência do meu corpo, das minhas limitações como ser humano, cuidar da minha alimentação. A dificuldade em beber água mesmo com tanta sede, me fizeram ter empatia a tantas pessoas onde sequer têm água para matar a sede. Perder cabelo e pelos foi o menor dos problemas, esse momento inclusive foi muito tranquilo para mim. Não rolou aquela coisa de choradeira e tal, sabia que meus cabelos voltariam a crescer, e mais, quando é que poderia ter a sensação de não ter cabelo se não fosse por essa experiência? Foi libertador!

E é por muitos desses motivos que é difícil comentar e explicar meus sentimentos sem tocar no tema “Fé” e “espiritualidade”.

As pessoas que me rodeiam não entendem a minha “força”, que nada tem a ver com força física (aliás quando falam isso de mim, ou que tenho força ou que seja guerreira, me sinto muito envergonhada, às vezes até sem saber como responder, porque sinceramente não me sinto assim, sinto que falta muito ainda para que eu chegue a esse ponto), mas sempre que passo por qualquer momento muito difícil, sempre me lembro da frase dita por Chico Xavier “Isso também passa!”. Se nunca leu, deixo aqui embaixo para que entenda o porquê dessa frase:

 “Havia um homem que costumava ter em cima de sua cama uma placa escrita: 

ISSO TAMBÉM PASSA…

Então perguntaram à ele o por quê disso…

Ele disse que era para se lembrar que, quando estivesse passando por momentos ruins, poder se lembrar de que eles iriam embora, e que ele teria que passar por aquilo por algum motivo. 

Mas essa placa também era pra lembrá-lo que quando estivesse muito feliz, que não deixasse tudo pra trás, porque esses momentos também iriam passar e momentos difíceis viriam de novo…

E é exatamente disso que a vida é feita: 

MOMENTOS!

Momentos os quais temos que passar, sendo bons ou não, pro nosso próprio aprendizado. Por algum motivo… 

Nunca esqueça do mais importante: 

NADA É POR ACASO! Absolutamente nada. 

Por isso temos que nos preocupar em fazer a nossa parte da melhor forma possível.” (Chico Xavier)

  E é nisso que tenho baseado a minha vida: Momentos!

 Assim como os momentos bons passam, os ruins também se vão. E eles se tornam muito mais leves quando acompanhados de pessoas tão especiais. 

Poder contar com o apoio de meu marido, filho, meus pais, irmãos, sogros e tantos amigos, é uma dádiva e que terei gratidão eterna. Deus colocou verdadeiros anjos em meu caminho, e espero poder ser merecedora de tanto amor e dedicação.”

 

 

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